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Paraty Brazil by UTMB: a maior prova de trail do Brasil explicada do zero

6 provas entre 7 km e 108 km na Mata Atlântica de Paraty. Os percursos e tudo sobre a maior prova de trail do Brasil.
Paraty Brazil by UTMB

São 108 km de trilha, 4.850 m de desnível positivo acumulado (D+) e Mata Atlântica do começo ao fim. O Paraty Brazil by UTMB é a etapa brasileira de um dos circuitos de trail mais reconhecidos do planeta, e acontece num dos cenários mais improvávais que o Brasil poderia oferecer: uma cidade colonial do século XVII com mais de 50 praias e montanhas que chegam a 1.840 m de altitude.

Mas a prova maior não é a única. São seis distâncias no total, de 7 km a 108 km, com percursos que passam por cachoeiras, trilhas históricas e vilas de pescadores. Tem espaço para o corredor de primeira prova e para o ultramaratonista de quilometragem longa.

Este artigo conta o que é a prova, como funcionam as distâncias, o que esperar do terreno e como chegar a Paraty.

O que é a UTMB World Series?

A UTMB (Ultra-Trail du Mont-Blanc) nasceu em Chamonix, nos Alpes franceses, em 2003. Hoje é o maior circuito de trail running do mundo, com etapas em mais de 40 países. Paraty entrou no calendário em 2023 e se tornou a representante brasileira oficial do circuito.

Cada prova dentro da UTMB World Series distribui Running Stones, que funcionam como moeda de acesso ao UTMB de Chamonix: a corrida de 171 km e 10.000 m de D+ considerada o maior evento de trail do planeta. Quanto mais longa e difícil a prova completada, mais Running Stones o corredor acumula. A lógica é simples: você prova que tem capacidade antes de chegar em Chamonix.

Para o corredor brasileiro, o Paraty Brazil by UTMB é o caminho mais direto para acumular pontuação dentro do circuito sem sair do país. Mas a chancela tem um peso além dos números: ela traz para Paraty corredores de vários países, organização de padrão internacional e um nível de produção que o trail brasileiro ainda raramente viu.

Leia também: UTMB World Series: o maior circuito de trail do mundo
Leia também: O que é o UTMB Index e como ele funciona?

Quais são as provas do Paraty Brazil by UTMB?

São seis distâncias, com largadas distribuídas ao longo do fim de semana do evento. A menor tem 7 km e quase nenhum desnível. A maior tem 108 km e quase 5.000 m de D+.

ProvaDistânciaD+Perfil
PTR 108108 km4.850 m+Ultra com percurso completo pelo terreno mais técnico da região. Para corredores experientes com provas longas no histórico.
PTR 5858 km3.400 m+Meia distância com D+ elevado. Exige experiência em subida e descida técnica.
PTR 3434 km1.150 m+Boa porta de entrada para quem quer sentir o terreno de Paraty numa distância gerenciável.
PTR 2525 km750 m+Acessível para trail runners com algumas provas no currículo.
PTR 1717 km600 m+Distância de iniciante com a chancela UTMB. Uma forma de entrar no circuito sem compromisso de ultra.
RUN 77 km50 m+Percurso urbano e de baixo desnível. Funciona como prova de inclusão e experiência do evento para não corredores de trilha.

Uma observação sobre a tabela: D+ alto numa distância curta é sinal de terreno íngreme. O PTR 58 tem quase o mesmo D+ que o PTR 108 em metade da distância. Isso significa subidas mais concentradas, não uma prova mais fácil.

Onde as trilhas de Paraty vão te levar?

O percurso do Paraty Brazil by UTMB foi construído em cima de uma geografia que poucos eventos no mundo têm: o corredor sai quase do nível do mar e sobe até 1.840 m de altitude sem sair da Mata Atlântica. O que muda entre os quilômetros é o que aparece na frente.

Pedra da Macela

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O ponto mais alto do percurso fica na Serra do Mar, na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Do alto dos 1.840 m, a vista abre para a Baía de Angra dos Reis com as ilhas espalhadas no horizonte. Para quem chega depois de muita subida, é um daqueles momentos que ressignificam o sofrimento dos últimos quilômetros.

Caminho do Ouro (Gold Trail)

Uma das trilhas mais antigas do Brasil. Foi usada no período colonial para transportar ouro das minas do interior até o porto de Paraty, de onde seguia para Portugal. Correr por ela é passar por história de verdade, com pedras centenárias e Mata Atlântica fechada em volta.

Janela do Mar

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Um trecho de 2 km de single track (trilha estreita para um corredor por vez) com vista para a Baía de Angra. O mar aparece entre as árvores o tempo todo. Num percurso que vive dentro da floresta, essa abertura para o litoral é um dos trechos mais fotografados da prova.

Cachoeira Sete Quedas

O percurso passa perto de uma sequência de sete quedas d’água em meio à vegetação nativa. Dependendo da distância que o corredor escolheu, pode ser um ponto de apoio emocional no meio da prova ou só uma bela paisagem passando rápida. De qualquer forma, a água fria no calor da Mata Atlântica sempre cai bem.

Fazenda Bananal

Uma fazenda do século XVII com 180 hectares de Mata Atlântica preservada, a poucos minutos do centro histórico de Paraty. É um dos pontos de apoio ao longo do percurso, onde acompanhantes também podem ir torcer pelos corredores e conhecer a propriedade. A fazenda mantém restaurante com ingredientes do próprio sítio.

Bairro Taquari

Um dos momentos mais humanos da prova. O bairro recebe os corredores com festa, música e moradores na rua. Quem já correu o Paraty conta que passar por Taquari no meio da prova é um daqueles pontos que dão energia de graça, do tipo que não tem gel que substitua.

Como é Paraty fora da corrida?

Paraty não precisa do evento para ser um destino. Mas o evento potencializa tudo o que a cidade já oferece.

O centro histórico tem arquitetura colonial dos séculos XVII e XVIII praticamente intacta, com ruas de paralelepípedo que alagam na maré alta e casarões brancos que parecem um cenário de filme. Em 2019, o conjunto foi tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, junto com o Parque Nacional da Serra da Bocaina.

O Parque Nacional da Serra da Bocaina tem mais de 106.000 hectares de Mata Atlântica nativa. É dentro dele que boa parte dos percursos da prova acontece. Para quem vai acompanhar atletas, o parque tem trilhas abertas para visitação.

A Costa Verde ao redor de Paraty concentra mais de 50 praias, a maioria acessível só de barco. Angra dos Reis fica a menos de uma hora. Ilha Grande é outra opção a pouca distância.

A gastronomia local tem forte influência caiçara (cultura dos pescadores nativos do litoral paulista-fluminense). Frutos do mar, cachaça artesanal e comida de fazenda convivem lado a lado no centro histórico. O evento acontece em setembro, que é primavera no litoral sul do Rio de Janeiro: temperatura agradável e chuva menos frequente do que no verão.

Como chegar a Paraty?

Paraty fica na Costa Verde, entre Rio de Janeiro e São Paulo, na BR-101. A localização no meio dos dois estados maiores do país é uma vantagem logística real.

De carro: a cidade fica a aproximadamente 4 horas do Aeroporto Internacional de São Paulo (GRU, em Guarulhos) e 4 horas do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (GIG, no Galeão). A BR-101 liga os dois lados, com trechos de serra que pedem atenção.

De ônibus: há linhas regulares saindo das rodoviárias de Rio e São Paulo com destino direto a Paraty. A viagem leva entre 4 e 5 horas dependendo do ponto de saída.

Dica prática: o evento acontece em setembro, período de alta ocupação em Paraty. Acomodação na cidade e arredores se esgota com antecedência. Quem planeja ir, seja correr ou acompanhar, precisa garantir hospedagem com bastante antecedência em relação à data da prova.

Perguntas frequentes

O Paraty Brazil by UTMB tem provas para iniciantes?

Tem. O PTR 17 (17 km e 600 m de D+) e o RUN 7 (7 km e quase plano) são as opções de entrada. As distâncias maiores exigem experiência prévia comprovada.

O que são Running Stones na UTMB?

São os pontos distribuídos nas provas da UTMB World Series. Quanto mais longa e difícil a prova completada, mais Running Stones o corredor acumula, que são necessários para se inscrever no UTMB de Chamonix.

Paraty Brazil by UTMB aceita corredores estrangeiros?

Aceita. Por ser etapa oficial da UTMB World Series, o evento atrai corredores de vários países. O site oficial tem versão em português e inglês.

Qual a melhor distância para quem quer correr pela primeira vez em Paraty?

Depende do nível. Quem já tem algumas provas de trail no currículo consegue encarar o PTR 34. Quem está começando agora no trail, o PTR 17 é o ponto de partida mais honesto.

Como é o terreno das provas de Paraty?

Mata Atlântica densa, raízes, pedras, subidas e descidas técnicas, além de trechos históricos como o Caminho do Ouro. Não é terreno para quem está acostumado só com asfalto.