Quem venceu o UTMB 2026?
Ben Dhiman venceu o UTMB 2026 em 18h16min29s, fechando os 174km da prova com o tempo mais rápido da história do evento em Chamonix. Não é recorde oficial, porque o percurso mudou de última hora. Baptiste Chassagne foi 2º, Caleb Olson 3º. Blandine L’Hirondel venceu entre as mulheres em 21h54min49s e virou a segunda mulher da história a vencer UTMB, CCC e OCC.
Na CCC (108km), Cristian Minoggio venceu em 10h21min48s e Yngvild Kaspersen levou o título entre as mulheres em 12h01min14s. Na OCC (60km), Frédéric Tranchand fechou em 5h10min08s e Lauren Gregory venceu entre as mulheres em 6h08min07s.
O D+ (desnível positivo acumulado) da UTMB neste ano ficou perto de 9.900m, contra 6.200m da CCC e 3.500m da OCC. Kaspersen levou o segundo título dela na CCC, três anos depois do primeiro. Miguel Arsenio, de Portugal, terminou em 2º na CCC, cinco minutos e 37 segundos atrás de Minoggio.
Por que o percurso da CCC mudou com a prova em andamento?
Aqui está o dado que ninguém repassou direito: a organização cortou o trecho final da La Flégère na CCC depois que a prova já tinha largado. Tempestade prevista para a região alpina forçou a mudança, e o comunicado só apareceu no site da prova horas depois da largada.
Não foi caso isolado. O UTMB também atrasou a largada em duas horas pelo mesmo motivo. E a OCC já tinha sido redesenhada meses antes, subindo de 55km para 60km. Três provas, três ajustes, uma semana só.
O resultado prático em Chamonix foi um cruzamento que ninguém planejou: corredores da CCC cruzando a linha de chegada enquanto o pelotão do UTMB se organizava pra largada, na mesma praça, com o público dividido entre aplaudir quem chegava e empurrar quem ia sair. Organização de prova internacional lida com isso o tempo todo, mas ver ao vivo é diferente de ler no comunicado.
Quem ficou de fora e como isso mudou a prova?
Kilian Jornet anunciou a saída oito dias antes da largada. Cirurgia no joelho, depois de meses tentando resolver sem operar. Jim Walmsley saiu na sequência, com o mesmo joelho comprometido e um quadro de doença que cortou o bloco final de treino. Tom Evans, campeão defensor, também não voltou pra defender o título.
Perder os dois nomes de maior peso histórico da prova numa mesma semana muda o jeito de assistir. Sem Jornet e Walmsley na largada, a corrida abriu espaço, mas também perdeu aquele confronto direto que qualquer fã de trail queria ver. Ficou faltando aquele duelo GOAT contra GOAT que a temporada prometia.
O que mais chamou atenção na semana de Chamonix?
Rachel Entrekin estreou no UTMB e terminou em 2º entre as mulheres, em 22h15min54s, poucos meses depois de vencer o Cocodona 250 na temporada mais consistente da carreira dela. Não tem muito corredor que estreia numa prova dessas e já sobe ao pódio.
Na CCC, Miguel Arsenio trouxe Portugal pro pódio masculino em 2º lugar. Miao Yao, bicampeã da OCC em 2024 e 2025, trocou de prova neste ano e foi pra CCC, terminando em 3º entre as mulheres. É bom ver o pódio saindo do roteiro de sempre e abrindo espaço pra outros países. Isso movimenta o esporte mais do que qualquer recorde de tempo.
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Bruno Valente é português radicado no Rio de Janeiro e corredor de montanha há mais de 5 anos. Com mais de 50 provas no currículo, fundou o Somos Trail para transformar sua vivência prática no esporte em informação útil e acessível. Atualmente, é o diretor editorial responsável por garantir a precisão de todo o conteúdo publicado no portal.









