Manuela Vilaseca terminou o Tor des Géants 2026 em 21º lugar geral e 3ª entre as mulheres, com tempo de 82h31’56” nos 330 km e 24.000 m de desnível positivo da prova nos Alpes italianos. A brasileira subiu ao pódio feminino de uma das ultramaratonas mais duras do calendário mundial.
Como foi a chegada de Manuela Vilaseca em Courmayeur?
A disputa pelo terceiro lugar foi decidida por 23 minutos e 33 segundos. Vilaseca cruzou a linha antes da italiana Melissa Paganelli, que fechou em 82h55’29” e ficou em 4º lugar entre as mulheres, mesmo sendo a primeira italiana a terminar a prova.
Segundo o relato da corrida feito pelo jornal local Gazzettamatin, a brasileira já dava sinais de desgaste em Saint-Rhémy-en-Bosses, um dos aid stations (posto de apoio, onde o atleta reabastece e troca material) da parte final do percurso. E não escondia. Chegava lutando contra o cansaço e alguns desconfortos físicos, do tipo que só quem correu 300 km sabe descrever. No Jardin de l’Ange, em Courmayeur, sentou no chão assim que cruzou a linha e pediu assistência médica. Cena comum em prova dessa distância. Mas que mostra o tamanho do que ela tinha acabado de fazer.

Por que esse pódio importa pro trail brasileiro?
Não é exagero. Um pódio no Tor des Géants pesa mais que qualquer prova de 100 milhas disputada no Brasil, e não é pouca coisa dizer isso. A prova reúne 330 km e mais de 24 mil metros de D+ (desnível positivo, soma de toda subida do percurso) nos Alpes, num terreno que não perdoa erro de estratégia nem excesso de pressa em quem quer chegar rápido demais numa distância que ainda não domina.
Vilaseca não chegou lá por sorte. Chegou porque tratou distância longa como o que ela é: processo, não atalho. O trail brasileiro ainda tem pouco resultado internacional desse nível pra mostrar. Um pódio como esse é referência prática pra quem sonha correr fora, e prova que dá pra competir com o topo do mundo saindo de um país sem tradição alpina.
Quem venceu o Tor des Géants 2026?
A alemã Katharina Hartmuth venceu entre as mulheres em 67h10’09”, 12h31min mais rápida que o próprio recorde que ela havia estabelecido em 2024. O tempo também bastou pra ela terminar em 3º lugar na classificação geral, a primeira mulher a subir ao pódio absoluto na história da prova.
Entre os homens, o chinês Jiaju Zhao fechou em 65h55’22”, novo recorde do percurso e cerca de 50 minutos abaixo da marca anterior. O suíço Jonathan Schindler terminou em 2º lugar geral, com 66h55’06”.
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Fontes: Gazzettamatin — Vilaseca completa o pódio, Aostasera — Zhao e Hartmuth, Gazzettamatin — Melissa Paganelli

Bruno Valente é português radicado no Rio de Janeiro e corredor de montanha há mais de 5 anos. Com mais de 50 provas no currículo, fundou o Somos Trail para transformar sua vivência prática no esporte em informação útil e acessível. Atualmente, é o diretor editorial responsável por garantir a precisão de todo o conteúdo publicado no portal.










