Courtney Dauwalter nasceu em 13 de fevereiro de 1985 em Hopkins, Minnesota, e redefiniu o que é possível no trail running e nas ultramaratonas. Em 2023 ela se tornou a primeira pessoa na história a vencer o Western States 100, o Hardrock 100 e o UTMB no mesmo ano, feito que nenhum homem ou mulher havia conseguido antes. O termo GOAT, greatest of all time, raramente foi tão merecido no esporte.
De onde veio Courtney Dauwalter?
De uma trajetória que não começou nas trilhas.
Dauwalter cresceu em Hopkins, Minnesota, competindo em atletismo, cross-country e esqui nórdico no ensino médio. Foi quatro vezes campeã estadual de Minnesota no esqui nórdico e entrou na Universidade de Denver com bolsa de esqui cross-country, onde estudou biologia. Depois fez mestrado em ensino na Universidade do Mississippi e deu aulas de biologia, química e ciências para alunos do ensino médio na região de Denver por vários anos antes de se tornar corredora profissional em 2017.
A professora de ciências que virou a maior ultramaratonista do mundo. Tem algo certo nessa história.
Quais são os maiores resultados de Courtney Dauwalter?
A lista é impossível de resumir em poucas linhas, mas os marcos que definem a carreira são esses:
Western States 100: vitórias em 2018 e 2023. Na edição de 2023, quebrou o recorde feminino do percurso com 15h29min, superando a marca que Ellie Greenwood havia estabelecido em 2012.
Hardrock 100: vitórias em 2022 e 2023, quebrando o recorde feminino do percurso nas duas direções, nos dois anos consecutivos.
UTMB: vitórias em 2019, 2021 e 2023. Em 2021 estabeleceu o recorde feminino do percurso. Em 2023 completou o triple crown histórico.
Lavaredo Ultra Trail 2025: vitória nos 120 km com mais de 5.800 m de D+ em pouco mais de 14 horas, confirmando que a dominância não diminuiu com o tempo.
Chianti Ultra Trail 2026: vitória nos 120 km em março de 2026, superando um campo competitivo que incluía nomes como Yngvild Kaspersen e Rachel Entrekin numa disputa que se manteve viva até os metros finais.
UltraRunner of the Year: eleita cinco vezes.

O que faz Courtney Dauwalter diferente de qualquer outro atleta?
A capacidade mental. É a resposta que qualquer pessoa que já a viu correr dá.
Dauwalter não é a mais rápida em trechos curtos nem tem o perfil físico óbvio de dominância. O que ela tem é uma tolerância ao desconforto que parece não ter limite. Ela criou um conceito próprio para isso: a Pain Cave, a caverna da dor. Em vez de evitar o sofrimento das fases mais duras de uma ultra, ela ativamente busca esse estado porque sabe que é onde a corrida é decidida.
Dauwalter é conhecida por seu attitude positivo e senso de humor durante as provas, com uma abordagem relaxada à nutrição. Ela também é reconhecida por seus shorts largos e compridos, sua marca registrada visual em todas as provas.
Tem outra coisa que raramente é mencionada mas define muito: ela compete em absoluto, não só no feminino. No Moab 240 em 2018, foi a primeira mulher a cruzar a linha e terminou na terceira posição geral, na frente de quase todos os homens da prova. Isso não é exceção na carreira dela. É padrão.
Como Courtney Dauwalter treina?
Em altitude, na simplicidade, com consistência absurda.
Dauwalter mora e treina acima de 3.000 metros em Leadville, Colorado. É casada com Kevin Schmidt, que a apoia nas provas de ultramaratona. A vida em altitude extrema é parte intencional do método: o corpo adaptado a pouco oxigênio responde de forma diferente quando a prova acontece em terrenos mais baixos.
O que impressiona no treino de Dauwalter é a ausência de excentricidades. Ela corre muito, com consistência, e recupera bem. Não há segredo elaborado. Há volume honesto e uma cabeça que não deixa o corpo parar antes da hora.
Courtney Dauwalter em 2026: o Cocodona como objetivo
A temporada de 2026 começou com a vitória na Chianti Ultra Trail em março, mas o grande objetivo declarado é outro.
Dauwalter confirmou sua inscrição para o Cocodona 250 de maio de 2026, voltando à prova de 407 km onde teve um DNF raro em 2025, abandonando aos 174 km apesar de liderar o geral. Nas suas próprias palavras, “unfinished business can be a great springboard for the next thing.” Negócio inacabado como trampolim. É exatamente assim que ela pensa sobre tudo.
Aos 41 anos, Dauwalter também quebrou seu recorde pessoal na maratona de asfalto no final de 2025, cruzando a linha na California International Marathon em 2h38min55, quase 11 minutos mais rápida que seu PR anterior. A professora de ciências que virou GOAT ainda está acelerando.
Perguntas frequentes
Courtney Dauwalter já venceu o UTMB?
Sim, três vezes: 2019, 2021 e 2023. Na edição de 2021 estabeleceu o recorde feminino do percurso. Em 2023 completou o histórico triple crown, tornando-se a primeira pessoa a vencer o Western States, o Hardrock e o UTMB no mesmo ano.
Qual é a marca patrocinadora de Courtney Dauwalter?
Courtney Dauwalter é atleta Salomon desde 2017. É uma das parcerias mais longas e icônicas do trail running de elite mundial.
O que é a Pain Cave de Courtney Dauwalter?
É o conceito que ela criou para descrever o estado mental de sofrimento extremo nas fases mais duras de uma ultra. Em vez de fugir desse estado, ela o abraça como o lugar onde a corrida é realmente decidida. Virou uma das filosofias mais citadas no trail running mundial.
Courtney Dauwalter vai correr o Cocodona 250 em 2026?
Sim. Ela confirmou sua inscrição para a edição de maio de 2026, voltando à prova onde teve um DNF raro em 2025 aos 174 km, apesar de estar liderando o geral na época.










