Kilian Jornet vence UTMB 2022
Kilian Jornet volta ao UTMB em busca do 5º título
Women’s Health Programme: ciência para corredoras de ultra
Rolo de liberação miofascial para trail runner: recuperação que a ciência confirma
rolo para trail runner em uso no quadríceps após treino de trilha com rolo texturizado de liberação miofascial em alta densidade

Women’s Health Programme: ciência para corredoras de ultra

Women’s Health Programme vai usar o UTMB 2026 como laboratório para estudar a fisiologia feminina no ultratrail.
Women's Health Programme trail running duas corredoras em trilha alpina de montanha com foco em fisiologia feminina e saúde hormonal

O Women’s Health Programme foi lançado oficialmente em março de 2026 com uma missão clara: produzir o que ainda falta no trail running. Pesquisa científica focada no corpo feminino. O UTMB de agosto será o primeiro grande laboratório. E os dados coletados lá vão além das elites.

Por que ainda sabemos tão pouco sobre mulheres no ultra?

Porque a maioria dos estudos científicos sobre endurance foi feita com homens.

Isso não é teoria. A participação feminina no trail running saltou de 16% em 2007 para 30,5% em 2025, segundo dados da Associação Internacional de Trail Running (ITRA). Em menos de 20 anos, quase duplicou. Mas a ciência não acompanhou esse crescimento na mesma velocidade. A maioria dos protocolos de nutrição, hidratação, treino e recuperação que as corredoras usam hoje foi desenvolvida a partir de pesquisas feitas com atletas masculinos.

A fisiologista do exercício Dr. Stacy Sims resume bem: “Mulheres não são homens pequenos.” O problema é que o esporte por décadas as tratou assim.

O que é o Women’s Health Programme?

Uma iniciativa criada pela Ultra Sports Science e apoiada pelo UTMB, que reúne médicos, pesquisadores e atletas de elite para coletar dados em provas internacionais de grande porte.

A coordenadora do projeto, Dr. Sandrine Nail-Billaud, médica e ultramaratonista, explica o objetivo direto: os dados serão usados como base para recomendações práticas acessíveis a qualquer atleta, não só às elites. O que se aprende no UTMB chega, eventualmente, ao treino de quem corre trail no fim de semana.

Corredora ultra trail feminina em ponto de abastecimento de prova recebendo suporte com foco em saúde e bem-estar feminino no esporte

As áreas de pesquisa prioritárias incluem saúde menstrual, gravidez e pós-parto, saúde hormonal, e questões de hidratação e trato gastrointestinal em esforços de ultra-endurance. São temas que afetam diretamente o desempenho e o bem-estar de qualquer corredora, mas sobre os quais existe muito menos evidência científica do que deveria.

Quem está envolvido?

Três atletas de elite francesas confirmadas no programa: Marion Delespierre, Blandine L’Hirondel e Camille Bruyas.

Delespierre tem um papel duplo relevante: além de atleta, é médica esportiva. “São questões com que trabalho todos os dias no consultório”, ela disse. “Ter acesso a mais estudos específicos para mulheres vai permitir tratamentos e suporte muito melhores no futuro.” L’Hirondel terminou em terceiro no UTMB de 2023. Bruyas foi segunda em 2025. Não são figurantes do esporte, são algumas das melhores ultramaratonistas do mundo.

E isso importa porque credibilidade científica em pesquisa de elite precisa de dados de elite.

O UTMB 2026 como laboratório aberto

O primeiro ano do programa usa o UTMB de agosto como ponto de partida. A escolha não é aleatória: o evento reúne corredoras de dezenas de países, de diferentes perfis fisiológicos, idades, origens e históricos de treino. É um dos maiores bancos de dados vivos do ultra-endurance feminino mundial.

Durante o festival do UTMB, o programa vai realizar um congresso com sessões abertas ao público e a especialistas, onde pesquisadores vão apresentar resultados de estudos em andamento sobre saúde mental, questões ginecológicas e problemas digestivos em atletas do ultratrail. E o plano é expandir além do UTMB, criando uma plataforma global de dados abertos dedicada à saúde feminina no endurance.

Dados abertos. Para qualquer treinador, médico ou atleta consultar.

Por que isso importa para quem corre no Brasil e em Portugal?

Porque os dados que faltam são os que mais afetam o dia a dia de treino das corredoras.

Quando uma atleta pergunta se pode treinar durante o ciclo menstrual, a resposta ainda costuma ser genérica. Quando busca protocolo de fueling para ultra acima de 10 horas, os estudos disponíveis são majoritariamente masculinos. Quando tenta entender como a variação hormonal afeta a percepção de esforço, a fadiga e a recuperação, a ciência ainda tem muito a responder.

O Women’s Health Programme não resolve isso de um ano para o outro. Mas é o primeiro esforço organizado e de grande escala para começar a preencher esse vazio. E agosto em Chamonix é o começo.

Perguntas frequentes

O que é o Women’s Health Programme no trail?

É um programa científico criado pela Ultra Sports Science com apoio do UTMB para pesquisar a fisiologia feminina no ultratrail. Foco em saúde hormonal, menstrual, digestiva e pós-parto.

Quando começa o programa?

O primeiro ciclo de coleta de dados acontece durante o UTMB em agosto de 2026, usado como laboratório científico ao vivo.

Os dados serão públicos?

Sim. A proposta é criar uma plataforma aberta com os resultados, acessível a atletas, treinadores e profissionais de saúde.

Só atletas de elite participam?

As atletas envolvidas são de elite, mas os dados e recomendações são desenvolvidos para ser aplicados por corredoras de todos os níveis.