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5 treinos que todo corredor de trail deveria fazer
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5 treinos que todo corredor de trail deveria fazer

Conheça 5 treinos para corredor de trail que vão melhorar seu desempenho nas trilhas e potencializar sua corrida.
5 treinos que todo corredor de trail deveria fazer

Não existe fórmula universal para o trail. Mas existe consenso: os corredores que chegam mais longe, mais rápido e com menos lesão costumam ter 5 tipos de sessão na semana. São eles: corrida longa, repetições de subida, treino de força, treino de descida e tempo run. Não são 5 treinos para corredor de trail iguais. São 5 estímulos diferentes, cada um desenvolvendo uma capacidade que o trail exige no km 30, na descida íngreme, na última subida antes do finish.

A ciência do endurance aponta na mesma direção. Corredores que combinam esses 5 estímulos de forma consistente melhoram a economia de corrida, a potência de subida e a resistência muscular nas descidas. O que muda de pessoa para pessoa é o volume, a intensidade e o momento certo de cada estímulo.

Treino 1: o que é a corrida longa e por que ela é inegociável?

A corrida longa é a base. Sem ela, os outros 4 treinos constroem sobre nada.

No trail, a corrida longa tem uma função diferente do asfalto. Não é só acumular quilômetros: é ensinar o corpo a funcionar em terreno variado por horas, gerenciar a fadiga neuromuscular de subidas e descidas seguidas e desenvolver a eficiência aeróbica que decide o resultado de uma prova longa.

Pesquisas com corredores de elite mostram que entre 75% e 85% do volume total é feito em intensidade baixa. Não é preguiça, é método. Esse padrão aparece em praticamente todos os sistemas de treinamento de alto rendimento estudados. Para o corredor de trail, a corrida longa semanal é o principal veículo desse volume.

O ritmo é conversacional. Se não dá para falar frases inteiras, está rápido demais. A duração varia com o objetivo, mas a progressão geralmente vai de 90 minutos a 3 horas ou mais conforme a distância alvo da prova.

Treino 2: o que é o treino de subida e o que ele desenvolve?

Repetições de subida são o treino mais específico que um corredor de trail pode fazer. Sem discussão.

Mas no asfalto, repetem-se 400m na pista. No trail, repetem-se subidas. O estímulo é parecido: alta intensidade, curta duração, recuperação entre séries. Mas no trail a subida adiciona um componente de força muscular que a pista não oferece.

Estudos de biomecânica mostram que subir em gradiente de 7% a 10% aumenta a cadência em cerca de 4,5% e recruta quadril e glúteos de forma muito mais intensa do que a corrida plana. É exatamente esse estímulo que falta ao corredor de asfalto quando tenta uma prova de montanha pela primeira vez.

Uma estrutura comum na literatura e na prática: 6 a 10 repetições de subidas de 30 a 60 segundos em esforço alto (percepção de 8 a 9 em 10), com descida caminhando como recuperação. O volume total não precisa ser alto. O estímulo, sim.

5 treinos para corredor de trail. Treino de subida trail running: corredor recuperando após repetição em morro com fadiga visível

Treino 3: por que o treino de força fora da trilha faz diferença?

Essa é a parte que mais corredores pulam. E é exatamente por isso que muitos estagnam.

Pesquisas mostram que corredores que incluem treino de força na semana gastam menos energia para manter o mesmo ritmo. Isso tem nome: economia de corrida. E melhorar esse número significa correr igual com menos esforço, ou correr mais rápido com o mesmo esforço. Os dois cenários são bem-vindos no km 40 de uma ultra.

O mecanismo não é mistério: força muscular melhora a rigidez dos tendões, a potência de propulsão e a resistência à fadiga neuromuscular. No trail, onde cada passada em descida é um choque excêntrico, quadríceps e posteriores de coxa mais fortes absorvem melhor esse impacto.

Agachamento, afundo, elevação pélvica, step-up em caixa e exercícios excêntricos de joelho aparecem consistentemente nas prescrições para corredores. Não é musculação de hipertrofia: é força funcional, com cargas moderadas a altas e poucas repetições.

Treino 4: o que o treino de descida ensina que nenhum outro treino ensina?

A descida destrói as pernas de quem não treina descida. Ponto.

A ciência é direta aqui: a melhor forma de o corpo se adaptar à descida é descendo. Com frequência. A exposição repetida a declives íngremes reduz o dano muscular nas sessões seguintes, num processo que os pesquisadores chamam de efeito de repetição.

No trail, descer em 12% a 15% de declive gera picos de impacto vertical 54% maiores do que a corrida plana. Os quadríceps trabalham em contração excêntrica prolongada, o tipo de contração que causa mais dano muscular e mais dor nos dias seguintes. O corredor que nunca treina descida específica chega no km 25 de uma prova com as pernas de gelatina.

O treino de descida pode ser incorporado à própria corrida longa, dedicando 20 a 30 minutos às descidas em ritmo controlado mas real, ou em sessões específicas mais curtas focadas na técnica e no controle.

Treino 5: o que é o tempo run e quando ele entra na semana?

O tempo run é a sessão de intensidade moderada-alta sustentada. No trail, costuma ser chamado de corrida de limiar ou corrida de ritmo.

A ideia é treinar próximo ao limiar de lactato: a intensidade mais alta que o corpo consegue sustentar por 20 a 40 minutos sem acumular lactato de forma progressiva. É o ritmo de prova de uma hora, mais ou menos. Desconfortável, mas controlável. Dá para falar palavras soltas, mas não frases.

Estudos com corredores de elite mostram que sessões nessa faixa de intensidade representam entre 15% e 20% do volume anual de treinamento. Não é muito, mas é consistente. No trail, o tempo run em terreno variado ou numa subida contínua é uma das formas mais eficientes de elevar a capacidade aeróbica sem o desgaste muscular de um treino de repetições.

Uma sessão típica: aquecimento de 15 minutos em ritmo fácil, 20 a 30 minutos em ritmo de limiar, desaquecimento de 10 minutos. Simples. Mas exige consistência para produzir resultado.

Como encaixar os 5 treinos na semana?

Não há obrigação de fazer os 5 em uma semana. A periodização importa mais do que o volume.

Uma distribuição comum para corredores com 4 sessões semanais: corrida longa no fim de semana, tempo run no meio da semana, treino de força 2 vezes por semana (pode ser em dia de corrida curta), subida ou descida específica em uma sessão separada, alternando entre os dois ao longo dos meses de preparação.

O erro mais comum é acumular intensidade demais na mesma semana. Treino de subida, tempo run e corrida longa com 48 horas de intervalo entre eles é receita para sobrecarga. A recuperação faz parte do estímulo.

Leia também:
Treino de força para trail runner: o que a ciência diz

Perguntas frequentes

Preciso fazer os 5 treinos toda semana?

Não. A periodização distribui os estímulos ao longo de semanas e meses. O que importa é que todos apareçam com regularidade ao longo do ciclo de preparação.

Corrida de asfalto conta como corrida longa de trail?

Conta para volume aeróbico, mas não reproduz o estímulo neuromuscular de terreno variado. O ideal é ao menos parte da corrida longa em trilha ou com ganho de altitude real.

Com que frequência fazer treino de força?

A literatura aponta 2 vezes por semana como frequência eficaz para melhora de economia de corrida. Mais do que isso começa a interferir na recuperação das sessões de corrida.

Treino de descida é para iniciante ou avançado?

Para qualquer nível, desde que progressivo. O corredor iniciante começa com descidas suaves e curtas. O avançado trabalha declives mais íngremes e maior volume.

Quanto tempo leva para sentir resultado?

A pesquisa indica melhoras mensuráveis em economia de corrida após 6 a 8 semanas de treino de força consistente. Adaptações à descida aparecem em 2 a 4 semanas de exposição regular.

Aviso editorial: As informações sobre treinamento são baseadas em metodologias amplamente estudadas na literatura científica de endurance. Não constituem prescrição individual. Consulte um educador físico especializado em corrida, registrado no CREF.

Referências científicas

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  • Eihara, Y., Takao, K., Sugiyama, T., Maeo, S., Terada, M., Kanehisa, H., & Isaka, T. (2022). Heavy resistance training versus plyometric training for improving running economy and running time trial performance: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine Open, 8(1), 138. https://doi.org/10.1186/s40798-022-00511-1
  • Bontemps, B., Vercruyssen, F., Gruet, M., & Louis, J. (2020). Downhill running: what are the effects and how can we adapt? A narrative review. Sports Medicine, 50(12), 2083–2110. https://doi.org/10.1007/s40279-020-01355-z
  • Vernillo, G., Giandolini, M., Edwards, W.B., Morin, J.B., Samozino, P., Horvais, N., & Millet, G.Y. (2017). Biomechanics and physiology of uphill and downhill running. Sports Medicine, 47(4), 615–629. https://doi.org/10.1007/s40279-016-0605-y