No domingo, 12 de julho de 2026, um grupo de homens a cavalo atacou corredores na altura do km 2 da Doble Apolo, prova de trail running disputada há 18 anos na Área Natural Protegida Paso Córdoba, em General Roca, na Argentina. Era a 17ª edição do evento. Os homens jogaram pedras e golpearam atletas com chicotes enquanto tentavam bloquear a passagem pelo trecho que leva à subida de Colicheo.
Vídeos gravados por participantes mostram os cavalos fechando o caminho e perseguindo corredores que tentavam desviar. Um dos atingidos relatou ter sido golpeado na cabeça e teve a camiseta rasgada. Ele seguiu até o km 10, mas abandonou a prova por causa de câimbras generalizadas depois do ataque.
Por que os homens a cavalo atacaram os corredores na Doble Apolo?
Segundo a organização, os atacantes retiraram parte da sinalização do circuito de 8 km antes do ataque, o que deixou vários corredores desorientados durante a prova. O motivo alegado por eles seria uma disputa sobre o direito de passagem pela área protegida, mas a organização afirma ter todas as autorizações municipais e estaduais em dia, incluindo o uso do espaço e o apoio policial contratado para o evento.
Nos vídeos, é possível ouvir trocas de acusações entre os dois lados. Os corredores insistem que seguiam o percurso definido pela organização. Os homens a cavalo, por sua vez, questionam por que não foram avisados sobre a passagem da prova pelo local.

Como a organização da prova respondeu?
O organizador Alejandro Pellegrini confirmou que a equipe recebeu ameaças na noite anterior ao evento e que vai apresentar uma denúncia formal à Justiça, junto com corredores e funcionários municipais. “Tínhamos tudo organizado para ser uma festa e hoje temos gente triste porque se perdeu“, lamentou. Ele destacou que a prova tem todas as licenças necessárias e que, apesar de já ter enfrentado ameaças em edições anteriores, nunca tinha registrado um episódio dessa gravidade.
Depois do incidente, a organização alterou o trajeto do percurso de 8 km para contornar a área do conflito. As distâncias de 15 km e 28 km seguiram pelo trajeto original, sem novos incidentes.
Nossa opinião: segurança do corredor não é negociável
Disputa de uso de terreno se resolve na Justiça, não com pedra e chicote contra quem está correndo. Não interessa se o conflito é sobre licença, sobre área protegida ou sobre falta de aviso prévio. Ninguém sobe numa trilha para negociar passagem sob ameaça.
Organização de prova tem responsabilidade de garantir que o corredor termine o percurso em segurança. Isso inclui mapear conflitos de uso do solo antes do evento, não durante. E comunidade local tem direito de ser ouvida, mas isso se resolve em reunião, não em cima do corredor que pagou inscrição e treinou meses para aquele dia.
Fica o alerta para organizadores de provas no Brasil também. Área compartilhada com moradores, fazendeiros ou comunidades tradicionais exige diálogo prévio e claro. Prova que não resolve isso antes do disparo da largada está expondo os próprios corredores.
Fontes: Infobae, La Nación, ADNSUR e Diario Río Negro.









